
Uma lição de organização. Foi o que o Botafogo mostrou ao Atlético-MG na Arena do Jacaré.
Os mineiros controlaram o jogo todo. Os botafoguenses atraíam os rivais para seu campo, em uma tática muito bem armada por Joel. No esquema do técnico, o adversário fica com a bola no pé o tempo inteiro, mas sem saber o que fazer com ela fazer. Assim, surgem as oportunidades de contra ataque.
Explicando: os alvinegros, com sua marcação bem planejada, deixam os rivais sem opção. Dessa forma, só restam os cruzamentos que são sempre cortados por uma zaga alta e bem colocada. O atual campeão carioca dão uma falsa sensação de liberdade aos seus duelistas. É um jogo feio, sem dúvidas, mas que dentro das limitações atuais do time se encaixam perfeitamente.
Em um dia de Obina perdendo muitas chances e Tardelli chutando uma bola no travessão, os alvinegros foram lá e meteram dois gols de forma letal.
Mas nesse post vamos falar menos do jogo e mais de uma figura nova no futebol brasileiro. Loco Abreu.
O uruguaio é ídolo, não pelo o que ele é, mas pelo o que representa. O cara chegou no início do ano, desconhecido por muitos. Ao ser apresentado como craque, no início do ano, levou botafoguenses ao êxtase ( mesmo com a maioria sendo total desconhecedora do jogador) e os torcedores rivais, à galhofa.
Pois bem. O uruguaio já chegou pedindo a camisa 13, o que para um clube superstisioso como o Botafogo, se encaixa perfeitamente. Sua estréia foi no maior vexame alvinegro dos últimos tempos. Um 6x0 para se esquecer e desaparecer.
Mas Abreu está acima dessas pequenices. Não foge de responsabilidades. Pelo contrário. Comandou a reviravolta alvinegra e para fechar com chave de ouro, fez o gol de um título há muito desejado, em cima do maior rival. De paradinha, para mostrar que ele tem culhões.
Aliás, culhões são algo que não lhes faltam. E ele já mostrou isso, literalmente. Falaremos disso mais adiante.
No meio do ano, representante de sua pátria, foi para a Copa do Mundo. Não foi titular, mas e daí? Desde quando ele precisa ser titular para levar seu time a vitória? O craque está nos momentos certos. Na decisão por penâltis, esbanjando confiança e categoria, levou o Uruguai para a fase semifinal, a qual o país não visitava há 40 anos.
Com o quarto lugar, voltou ao Brasil. Seu sucesso aqui já estava consolidado. Festa para o Botafogo, que sorria ao lucrar com as ações de marketing sobre o jornalista. Sim, Washington Sebastián Abreu Gallo é formado em jornalismo. Ele é hábil também com as palavras, sua cultura o permite "hablar" e discutir diversos assuntos, algo não muito comum no mundo do futebol. Álias, Loco Abreu já publicou um artigo no jornal "O Globo", esse ano.
O uruguaio permaneceu um tempo de férias, afinal passou um mês um tanto quanto desgastante. A equipe carioca ia bem. Nesse momento, sua presença não era vital. Porém, a situação começou a ficar "preta". As contusões deixavam o time perdido. Ele voltou aos poucos. Surge uma polêmica. O atacante esbraveja contra Joel Santana ao ser substituido. Paira em General Severiano ares de crise. Bola fora. Nada acontece. A situação é apaziguada. Os envolvidos são experientes, vencedores e possuem sede de vitória. Apenas isso.
O tempo vai passando, perde mais jogadores. Loco Abreu mostra sua importância. O atleta passa a atuar em todos os setores do time, não fisicamente. Sua influência e garra levam o alvinegro ao empate em uma partida que parecia perdida, contra o Vasco. Na comemoração, os famosos culhões. "Aqui não tem moleque p...", pensa em dizer ou diz.
O campeonato vai passando, os jogos acontencedo. O uruguaio erra, acerta, vira sinônimo de paixão e também se apaixona. Em sua camisa especial, onde estão seus símbolos mais significativos, surge o escudo do Botafogo.
Ontem, o camisa 13 deu uma assistência e fez um gol. Levou o Botafogo ao 4º lugar. Agora o clube está a 3 pontos atrás do Corinthians.
Não importa que o alvinegro não consiga a vaga ou maiores vitórias. Afinal, se não conseguir nesse momento, conseguirá futuramente. A semente foi plantada. Loco Abreu representa o retorno de um clube aos seus bons momentos, representa o orgulho, a auto estima e a confiança de um time vitorioso, glorioso e histórico. Parabéns herói.
Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho, Didi, Maurício, Túlio...Vocês já têm um novo companheiro.





















