
O fim de semana foi bom para o futebol carioca. Tirando o Botafogo, todos cumpriram seu papel. O Fluminense mostrou ter se adaptado ao estilo de jogo do Muricy e venceu. O Flamengo enfrentou um time fraco e conseguiu os três pontos, assim como o Vasco, que ainda teve a facilidade de ver dois adversários expulsos.
Mas hoje eu vou tomar a liberdade de não analisar tanto os jogos, para falar de uma situação que tomou conta do futebol.
Hoje os times tem muito medo de perder. São capazes de pressionar e serem pressionados por rivais de forma semelhante.
Quando um time abre o placar, há duas opções: continuar pressionando para "matar" a partida ou se defender e rezar pro jogo acabar com o placar favorável.
Grande parte dos times escolhe a segunda. Mas por qual motivo? Bem, o medo de perder se tornou maior do que a vontade de ganhar por diversas circunstâncias.
A primeira é a questão do técnico. Eles estão sempre com o cargo posto a prova. Devido a isso, surge uma insegurança natural que leva o profissonal a tentar garantir o resultado por meio do resguardo. Se expondo, o time corre mais riscos, e por isso, não é o mais aceitável. Se toma o empate, vai ouvir: "Tudo bem, pelo menos garantimos um ponto e fizemos o máximo possível para garantir o resultado.", se perde, passará batido pois os méritos cairão em cima do oponente. E se vence ganhará todos os louros de uma heróica vitória. Ou seja, o treinador tem muito mais a perder buscando o gol, então, arriscar pra que? É compreensível que se utilize desse método de jogo quando se treina um time bem inferior aos outros, mas em um campeonato nivelado como o nosso, não dá para engolir essa justificativa.
A segunda questão é a dos jogadores. Recuar depois de conseguir o gol, é a tendência natural, mas abdicar do jogo, não. Nesse momento surge o medo do erro, ninguém quer levar a culpa por um resultado negativo. Sabemos que hoje o futebol é muito mais que um esporte, e talvez questões externas como família, negócios, pese para eles. Também coloco o técnico nessa "bolha". Contudo, é necessário que haja todo um respaldo por parte do clube para deixá-los tranquilos.
A terceira e última questão é o resultado. Esse jogo, está dando certo. Todos os times tem pelo menos uma chance de gol por jogo, e por isso, não pressionam, pois uma hora surgirá o contra-ataque e se o time tiver qualidade, marcará o gol. Também existe toda a questão econômica que envolve o clube empresa, resultados positivos envolvem contratos positivos. A última Copa do Mundo foi isso. Poucos gols, muito medo. E é bom citar que muitos desses gols foram gerados de falhas.
Pois bem, esse futebol pragmático dá resultado, é inquestionável. Mas o gosto que todos nós temos pelo futebol é devido só a vitória? Porque se for assim, temos que lotar os ginásios de vôlei, esporte muito mais vitorioso nos últimos anos.
Quais eram os times do São Paulo tricampeão brasileiro? Alguém lembra?
Qual time será mais lembrado, o da Alemanha da Copa de 2010 ou o da Holanda?
E os times do Cuca (campeão apenas uma vez), principalmente os da passagem pelo Botafogo, serão lembrados? Será que alguém não tem saudades dos belíssimos gols do Dodô?
Futebol, com o perdão do trocadilho, é uma arte. Sua aura deve ser preservada.
Grande abraço
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